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Quem mordaça quem?

Anos atráz, éramos vítimas da censura que o estado nos imprimia. Não podíamos sequer ter idéias diferentes ou tentar divulgar algo que não "agradasse" ao governo. Tanto tempo presos em uma cela virtual, nos trazem prejuízos intelectuais até os dias atuais. Hoje porém, sofremos uma censura de informação talvez muito pior, por ser mais sofisticada e difícil de ser detectada. A televisão entope-nos de programas sem o menor conteúdo de conhecimentos, escondidos na desculpa de que são meios de comunicação comerciais e que apenas produz o que a população quer. A velha história do “livre-arbítrio”. Da para sentir um viés ideológico? É como o pai que alimenta o filho a base de “chocolates e biscoitos, apenas porque o filho pede”. Como se o pai não fosse o responsável direto pela introdução das guloseimas.
As concessões públicas foram concedidas pelos governos militares a correligionários políticos, sem o menor critério para tanto. A classe média por sua vez, é condicionada a crer que toda a imprensa seria incapaz de uma organização com objetivos próprios. Acreditar que toda imprensa poderia unir-se como em um complô, com um objetivo único, provocaria náuseas em qualquer cidadão comum e o comodismo mais uma vez fala mais alto. Ignoram porém que a imprensa tem o poder de construir verdades, e o faz. É como se fosse munida por uma “fé pública”, que acaba lhe conferindo o status de “quarto poder”, assim como é chamada. Agora, imaginemos o que não acontece em uma cidade, estado ou país onde todas (ou quase todas), as concessões públicas foram previamente concedidas a apenas um grupo político? Porque FHC vetou a compra da extinta rede Manchete pela CUT ? Recentemente, Marilena Chauí reclama de censura dos meios de comunicação e por isso resolveu manter silêncio. Agora, escolhe os meios de comunicação para quem vai conceder entrevistas. Muitos intelectuais, hoje, escolhem a quem conceder entrevistas para não terem suas opiniões distorcidas ou trechos censurados, como vem ocorrendo com freqüência alarmante. E dizem que o tempo da mordaça passou! Liberdade de expressão é condição sinequanon a qualquer democracia.O conservadorismo, o comodismo de quem consegue estar financeiramente bem, mesmo com o sistema injusto, excludente como está, é conflitante com ideais progressistas e democráticos. A aversão a mudanças é gerada por um desconforto natural e na maioria dos casos este instinto acaba vencendo a razão. Enquanto não houver maior equilíbrio nas forças políticas e meios de comunicação do país, democracia será uma utopia que eu quero alcançar.



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